Diário da Gravidez: Resumão do Primeiro Trimestre | Anticoncepcional e Malformação no útero

06:02


Antes de qualquer coisa, preciso começar dizendo que a jornada até aqui tem sido a mais louca e desafiadora da minha vida.

Também gostaria de dizer que esse diário é, acima de tudo, pra mim mesma. Pois até agora está sendo difícil achar lugar pra desabafar e falar livremente e com honestidade sobre tudo que tenho sentido.

Estou com 23 semanas de gravidez (5 meses e 3 semanas) e só agora consegui assimilar todas as mudanças e decidir falar sobre tudo isso. Então, pensando em fazer esse diário, achei que seria melhor fazer um resumão dos meses que já passaram e depois continuar semanalmente.

Como descobri?
Outubro de 2017. Eu estava na metade de uma cartela de anticoncepcionais - que eu tomava todos os dias, há 5 anos, sem exceções, sem erros, sem esquecer - quando comecei a sentir sintomas estranhos, muito parecidos com os da menstruação. Mas estava fora de época, não tinha terminado a cartela de remédios ainda.
Comecei sentindo cólica leve, que foi piorando com os dias e ficando cada vez mais forte. Seios doloridos e inchados, muito cansaço. Nesse ponto eu já estava achando tudo muito estranho e desconfiando (apesar de duvidando) de uma gravidez. Foi quando os enjoos começaram, bem fraquinhos.
Lembro de um final de semana específico que saí com os amigos na sexta-feira e bebi bastante. No dia seguinte, acordei passando mal e imaginei que fosse só ressaca mesmo e que melhoraria logo. Mas os dias foram passando e o enjoo só piorava, não conseguia nem comer. 
Resolvi fazer um teste de farmácia. Duas linhas vermelhas, positivo.


"Mas uma delas tá bem fraquinha... será que tá certo?! Não é possível, eu tomo anticoncepcional, provavelmente tá errado."
Tentei não me desesperar e fui fazer também o exame de sangue pra ter certeza. Não dormi a noite, atualizando o site de minuto em minuto esperando pelo resultado, ainda com esperança de tudo ser só um erro. Ficou pronto às 6h da manhã. Positivo.

Eu não consigo nem explicar o que senti naquela hora. Foi um desespero tão profundo e tão esquisito... Parecia que nada mais existia ou fazia sentido. Foi muito louco. E foi absolutamente horrível, uma das piores sensações que já senti na minha vida. Lembro que comecei a me sentir sufocada e foi como se eu estivesse só sonhando. Afinal, eram 6h da manhã e eu não tinha dormido nada. Lavei o rosto, respirei fundo, mas o positivo continuava lá. Estava com 6 semanas.

No mesmo dia contei pro meu namorado, que reagiu mil vezes melhor do que eu, o que foi (e tem sido durante todo esse tempo) um dos fatores mais importantes pra me ajudar a não surtar e conseguir me acalmar. Achei até meio estranho, porque eu estava que nem uma doida e ele super tranquilo com a notícia. O fato de estarmos juntos há 6 anos também facilitou demais as coisas. Afinal, já planejávamos filhos juntos, só que esperávamos que isso fosse acontecer só daqui a uns bons anos... hahaha

Depois, conversando com a médica, questionei ter acontecido isso mesmo com o uso do anticoncepcional, que nunca tinha me dado nenhum problema nos últimos 5 anos. E ela esclareceu que a eficácia realmente não é de 100% e isso pode acontecer com algumas mulheres. Aliás, fatores como uso de antibióticos ou vômitos algumas horas depois de tomar a pílula podem reduzir o efeito. Imagino que foi o que aconteceu comigo, pois estava acostumada a consumir bebida alcoólica com frequência e de vez em quando exagerava e passava mal hehe

A partir daí, tive que a começar a lidar com a ideia de que eu realmente estava grávida e que minha vida toda mudaria dali pra frente. E foi MUITO difícil. No começo é tudo muito complicado porque, além do fato de você não se sentir pronta pra tudo aquilo, também tem o fato dos hormônios ficarem pirados e só piorarem tudo. Perdi a conta das vezes que surtei, que chorei e fiquei desesperada com vontade de sair correndo e nunca mais voltar.
Eu sofri muito e acho que nunca me senti tão incompreendida na minha vida inteira. Parece que ninguém entende o que você está passando e sentindo, nem você mesma. Parece que todo mundo acha que você só está exagerando e fazendo drama. E acho que, talvez, só quem passa por isso entende de verdade o quanto é pesado e difícil.
Além disso, eu estava no final de período na faculdade - que já é estressante naturalmente, lotada de trabalhos e projetos pra fazer, ficando louca e sobrecarregada. Tinha dias que só conseguia chorar.

Pra piorar tudo, eu tinha a notícia de que meu útero tem uma malformação. Ele não tem o formato normal e, agora que eu estou grávida, é impossível fazer o exame pra descobrir qual é o problema.
Existem 3 possibilidades para o meu caso:
Útero septado: quando o útero é normal por fora, mas a cavidade interna é dividida por uma membrana, como uma parede, que pode ir só até a metade ou até o colo do útero;
Útero bicorno: quando o útero tem formato de coração, como se fosse dividido em dois;
Útero arqueado: quando tem apenas um arqueamento na parte superior, alterando pouco o formato.
  
 



As malformações não impedem uma gravidez normal, mas podem a tornar mais difícil. Existe risco mais elevado de aborto espontâneo, principalmente no começo da gestação e de parto prematuro. Pois além de tornar mais difícil a implantação, o bebê pode ter pouco espaço dentro do útero.

E o que mais me incomodou foi saber que essas anomalias são muito comuns e a maioria só descobre ao engravidar, a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar. Fico pensando que, se algo assim tivesse mais atenção, poderia ser diagnosticado cedo e evitaria muito sofrimento pra mulheres que tem problemas na gravidez por conta disso. Principalmente porque em alguns casos de útero septado, por exemplo, existe cirurgia pra resolução do problema.

Mas isso não quer dizer que vá acontecer. Existem mulheres que tem dificuldades e perdas, como também existem mulheres que levam uma gestação tranquila até o final, apesar disso. Fiquei - e ainda fico - muito nervosa e preocupada. Mas tudo tem sido tranquilo e não tive nenhum problema até agora!

Além de todo o peso emocional, sofri muito com enjoos nos primeiros 3 meses. Não conseguia comer nada, passava mal o tempo inteiro, sentia cansaço e sono fora do comum. Emagreci muito e sentia muita fraqueza, foi horrível.

Sendo bem sincera, eu não conseguia me sentir tão feliz no comecinho, a mistura de sentimentos era enorme, o medo também. E isso só piorava tudo porque eu me sentia uma pessoa horrível, pensando que seria uma péssima mãe e todas essas coisas. Mas com o tempo, a gente vai aceitando, entendendo e aprendendo a lidar melhor com todas essas mudanças. E a gente também entende que não está sozinha. E que várias outras pessoas também passam por isso e é normal.

Chegando no final do primeiro trimestre eu já me sentia outra pessoa. As coisas continuavam difíceis, mas eu me sentia muito melhor. Tinha medo de algo dar errado e acontecer alguma coisa com o bebê. Torcia todos os dias pra tudo dar certo. E tem dado.

Quando você começa a fazer exames, ver seu bebê, ouvir o coraçãozinho batendo... as coisas vão mudando. Tudo passa a se tornar mais real. Você começa a sentir coisas inexplicáveis que nunca sentiu antes. Começa a planejar, pensar nas primeiras roupinhas, todas essas coisas. E tudo fica mais fácil e mais bonito. E quando você percebe, já não consegue imaginar amor maior do que a coisinha pequenininha que está crescendo dentro de você. ♥


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